Historiador belmontense escreve sobre crônica sobre museu Nacional

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O TRONO DO REI POR VALDIR NOGUEIRA


Ardeu o trono de dom João VI, no incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro. E ardeu todo o resto do museu, um espólio insubstituível sobre a História do Brasil e de quando Portugal andou por lá.
Luzia, o crânio brasileiro de 11 mil anos, os esqueletos de diversos animais encontrados no nosso solo e toda a história da Família Real Portuguesa resistiram a todo e qualquer dano do tempo, mas arderam em destruição no Brasil atual.
Nunca uma frase como “Um povo sem história é um povo sem memória”, fez tanto sentido quanto agora. Completamente nus, como nossos povos antepassados, às vésperas de um 07 de Setembro, não temos nada. Em meio às discussões políticas, como num gesto desesperado e de último pedido de socorro, sobe a chama no palco da Primeira Assembléia Constituinte da República que clama por luta. Precisamos de um futuro que não queiramos queimar — tão rico e único como o passado em exposição que se foi. Amanheceu fuligem e documentos pelo ar.
Descaso, incúria ou seja lá o que for, o que verdadeiramente importa é que esse testemunho do passado já não existe. Agora, vai avançar a discussão sobre as culpas, a qual, como de costume, a muito pouco levará. Os crimes sobre o patrimônio indignam e emocionam sempre muito no momento das perdas mas, depois do “rigoroso inquérito” que o tempo amaciará, dão quase sempre em muito pouco. É que as famílias das “vítimas” não estão lá para exigir nada.
De todas as vezes que fomos espoliados, hoje vivemos o maior dos roubos: acordamos milhares de anos mais pobres.

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