Conheça a história de vida do belmontense José Ribamar

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Determinação, foco e esperança. Essas são algumas das palavras que regem a vida de José Ribamar Lopes da Silva, de 21 anos, natural de São José do Belmonte, no Sertão do Estado de Pernambuco. O jovem é um dos sete filhos de Francisco Aparecido e Josefa Lopes, vaqueiro e agricultora, respectivamente. Ao completar 18 anos saiu de casa e veio para o Recife para iniciar a vida acadêmica e procurar uma oportunidade de emprego. Na mente, um sonho desde a adolescência: entrar para universidade, cursar uma graduação e poder proporcionar uma qualidade de vida melhor para ele e sua família. Essa história pode até parecer um roteiro de novela, mas não é. É a vida real, e o jovem está trilhando o caminho na busca da realização dos seus sonhos.
Ribamar conheceu o Programa Ganhe o Mundo (PGM) em 2011, quando o PGM mal tinha saído do berço. Ele participou da primeira edição do curso de segunda língua na Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Doutor Walmyr Campos Bezerra, unidade de ensino em que também cursava o ensino médio. “Fui da primeira turma, o curso ainda não tinha criado a reputação que tem hoje e muitas pessoas desistiram. Tive uma boa professora, Carla Navratilova ,que sempre me ajudou e incentivou a continuar no curso mesmo com as dificuldades iniciais”, contou. “Era um programa bem ousado para ser público, muitos pais desconfiavam da credibilidade e duração do curso. Por morar em zona rural e estudar em escola em tempo integral, muitos estudantes não conseguiam ficar para o terceiro turno”, confessou.
“Durante o curso eu me surpreendia a cada aula, eu via que meus esforços estavam dando resultados e aquilo me incentivava a permanecer. São José do Belmonte teve a sorte de receber uma professora muito empenhada e apaixonada pela profissão, o que nos incentivava a ir adiante. Ela trazia livros pessoais de estudo da segunda língua e nos mostrava a importância daquilo que estávamos recebendo no curso: conhecimento”, contou Ribamar sobre o período do curso de segunda língua do PGM.
Com o anúncio da seleção para o intercâmbio, Ribamar se animou. Tinha a intenção de viajar para fora do país. “Eu estava trabalhando numa pizzaria enquanto eu não estava na escola, o salário ajudava meus pais com as despesas em casa. A gestora da minha escola foi na pizzaria e comentou que eu não havia sido selecionado para o intercâmbio, em seguida contou quais dos meus amigos tinham passado na seleção. Eu não consegui anotar mais nenhum pedido naquela noite, fiquei arrasado. Havia depositado toda minha esperança na chance de viajar”, lamentou.  Mas essa queda não foi o suficiente para derrubar Ribamar, ele tinha em mente o objetivo final e buscou apoio na família e em amigos para superar esta perda.
Mas, o que parecia ser algo muito ruim, na verdade só fortaleceu o desejo que havia no jovem: buscar uma melhor qualidade de vida para ele e a família. Se não foi com o intercâmbio, ele teria que arranjar outros meios de conseguir alcançar esta meta. E foi exatamente assim, Ribamar se inscreveu em 13 vestibulares e foi aprovado em todos. “O meu medo era que o meu plano não desse certo, então eu me inscrevi em várias instituições de ensino com os cursos que eu gostava. De algum jeito tinha que dar certo”, brincou. Por ter sido um aluno dedicado aos estudos no curso de segunda língua e desenvoltura na conversação, Ribamar foi indicado para uma vaga de instrutor no Programa Ganhe o Mundo. Então, aos 18 anos ele veio para o Recife iniciar o curso técnico e fazer a entrevista que lhe concederia a primeira assinatura na Carteira de Trabalho. “Eu nunca tinha vindo ao Recife, não tinha família ou amigos por aqui e meus pais não podiam me ajudar com as despesas. Quando cheguei aqui fiquei hospedado na casa de estudantes do meu município, que é onde eu moro hoje. Tudo era novo para mim, eu não conhecia nada”, contou.
Dentre todos os cursos em que foi aprovado, o jovem optou por um curso técnico de Saúde Bucal, ministrado na Escola Técnica Academia de Profissões do Recife. Conseguiu concluir o curso enquanto ministrava aulas de inglês, pelo PGM, numa escola em Igarassu, Região Metropolitana do Recife. Em seguida, iniciou a graduação em Odontologia na Faculdade Integrada de Pernambuco (Facipe), e aos 19 participou de um concurso realizado pela Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, no qual foi aprovado. Ao ter que escolher um emprego, optou pelo exercício da profissão na qual foi formado. Quando questionado se ele conseguiu alcançar o que desejava, responde: “Já consegui muito do que eu queria. Estou concluindo minha graduação, consegui um emprego estável, mas quero seguir minha carreira acadêmica. Pretendo dar aula numa universidade e ainda alimento o sonho de estudar fora do país, num mestrado ou doutorado”, comentou o jovem.
“O PGM me ensinou a não desistir. Se eu quero algo com muita intensidade, devo persistir e fazer de tudo para que o sonho seja realizado. Se algo muito desejado não acontece, é porque a vida nos reserva algo muito maior do que aquilo que planejamos”, conta Ribamar sobre o que aprendeu com experiência de ter sido reprovado na seleção do intercâmbio do PGM. “Fui reprovado naquela seleção para ser aprovado em outras no futuro. A resposta negativa do intercâmbio me abriu as portas para pensar em outras possibilidades”, encerrou.
Amanhã, no último dia da série especial em comemoração aos seis anos do PGM, a Secretaria de Educação do Estado (SEE) vai mostrar um pouco dos bastidores do programa. Você vai conhecer a equipe que está por trás de tudo isso que a série mostrou, além de algumas histórias de viagens, embarques e fantasmas.
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Governo de Pernambuco 

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