Vitória de Trump não afeta relação com Brasil; especialistas comentam

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O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, discursa para apoiadores em NY (Foto: Mike Segar/Reuters)O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, discursa para apoiadores em NY (Foto: Mike Segar/Reuters)
O republicano Donald Trump contrariou pesquisas e previsões e derrotou a democrata Hillary Clinton na disputa presidencial americana. Ele será o 45º presidente dos Estados Unidos a partir de janeiro de 2017. Especialistas comentam o resultado e falam como a vitória do republicano pode afetar o Brasil.
A professora de Relações Internacionais Denilde Oliveira Holzhacker, da ESPM, afirma que já esperava uma eleição muito competitiva, já que os resultados de pesquisas mostravam resultados apertados e a existência de um grupo muito grande de indecisos. Porém, a vitória de Trump em estados como a Flórida surpreendeu.
O cientista político Carlos Pio, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, afirmou que o resultado da eleição americana também o surpreendeu. "Foi uma grande supresa. O próprio Trump deve ter ficado surpreso", disse.

Segundo Denilde, a vitória de Trump é um sinal da insatisfação dos americanos com a situação atual do país. “Alguns grupos de trabalhadores que em muitos momentos apoiaram os democratas têm perdido emprego, oportunidades, têm tido dificuldade em continuar os estudos e garantir os estudos dos filhos. Toda essa situação favoreceu o discurso e a proposta que Trump estava oferecendo”, diz a especialista.

“Como Hillary era vista como continuidade e o eleitor não estava satisfeito com as políticas atuais, era esperado que ele rejeitasse essa continuidade.” Segundo Denilde, os democratas subestimaram o quanto a população estava insatisfeita com as políticas feitas ao longo dos dois mandatos de Barack Obama, principalmente porque o governo dele tinha uma avaliação geral positiva.
Segundo os especialistas, a eleição de Trump não deve afetar diretamente as relações entre Brasil e Estados Unidos. "A América Latina e o Brasil em particular não estão na mira de nenhuma ação abrupta do governo americano. O Brasil não é visto como uma ameaça que mereça atenção, nem como um parceiro em que os Estados Unidos devam investir. Então se fosse Hillary ou se fosse Trump, não muda nada", diz Carlos Pio.
Segundo Denilde, o problema não é a relação dos Estados Unidos com Brasil, mas "as políticas externas que Trump colocou que devem afetar parceiros brasileiros”. “Trump foi enfático em dizer que vai propor barreiras ao comercio com a China. E o que afeta a economia chinesa tem reflexo no Brasil porque a China é um importante parceiro comercial brasileiro.”

Mas o fato de a economia brasileira ser bastante diversificada e ter parcerias muito amplas garante que o Brasil não deve sofrer efeitos diretos em decorrência da definição do novo presidente americano.

A especialista destaca ainda o fato de que Trump foi vago em relação a suas propostas econômicas e que só será possível ter clareza de qual será sua linha e ação quando definir quem ocupará os cargos chave de seu governo. “As bolsas estão em queda porque faltam essas informações."
Apoiadores de Donald Trump comemoram os resultados da eleição presidencial nas ruas de Nova York (Foto: Andrew Kelly/Reuters)Apoiadores de Donald Trump comemoram os resultados da eleição presidencial nas ruas de Nova York (Foto: Andrew Kelly/Reuters)
Posse e reação do mercado
Segundo Carlos Pio, a situação apenas será mais clara em janeiro, quando Trump tomar posse e montar sua equipe. Mas esse período até a posse será essencial para o republicano, segundo o professor, pois vai lhe mostrar como o mundo e como o mercado reagiu à sua vitória e às suas promessas de campanha.
"Ele sentirá na pele a reação dos mercados, dos governos estrangeiros e dos seus aliados no Congresso a tudo que ele falar e propuser. Vai ter impacto sob o dólar e sob as empresas americanas. Ao perceber isso, [Trump] vai mudando sua forma de se comunicar", disse.
Por causa desse período, Pio acredita que o Trump presidente vai ser uma pessoa diferente do Trump candidato. "Ele vai falar mais coisas que são realistas, que podem ser aprovadas no Congresso e que sofreram muito mais influência das lideranças do Partido Republicano do que durante a campanha. Por isso, não vamos esperar que ele vai pegar a lista de tudo que ele prometeu e vai começar a implementar tudo", afirmou.
Por isso, o cientista política acredita que é difícil saber como o governo vai lidar com alguns temas, como o de imigração. "Já faz um tempo que o governo dos Estados Unidos tenta restringir a imigração, e vai continuar assim. O que se espera é que haja mudança em relação ao tratamento de imigrantes ilegais", disse.

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