Criança na cama: pais e filhos perdem

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A escolha é dos pais. Entretanto, manter o filho na cama faz um estrago. Estraga o filho; estraga o relacionamento. Vou ainda mais longe: a criança deve ter o próprio quarto. Desde o primeiro dia que chega em casa, quando a mãe deixa o hospital.
É provável que algumas mulheres digam:
– Você fala isso porque é homem. Não sabe o quanto a gente sofre.
Admito: não sou especialista em acordar de madrugada para cuidar de bebê. Também nunca amamentei. Sei que desconheço as dificuldades experimentadas pelas mães.
Entendo, porém, que não é nada divertido acordar às 3h da madrugada, deixar a cama para amamentar, trocar fraldas… Às vezes, o bebê com cólicas, chorando… E ainda não ter o conforto do próprio quarto.
Por isso, muitas mães preferem colocar o berço perto da cama do casal. E, para amamentar, trazem o bebê para o meio deles.
A criança vai crescendo e vai ficando ali. Chega ao ponto de só dormir se estiver perto da mãe. Quando os pais entendem que está na hora do filho dormir no próprio quarto, já é tarde demais. O baixinho não quer conversa. Chora, faz manha, birra… grita. E volta pra cama do casal.
A intimidade deixa de existir. E a criança passa a ocupar um lugar que não é dela, inclusive na dinâmica do relacionamento conjugal.
Há situações em que não existe outra forma: a criança precisa dormir no quarto dos pais (por falta de espaço físico mesmo). Entretanto, a molecadinha deve ter o próprio cantinho. E acostumar a dormir ali. Dá dó? Claro que sim, principalmente porque, quando a gente chega do hospital, estamos deslumbrados, encantados por aquele serzinho incrível que temos nos braços. Mas não dá para ficar morrendo de pena e fazer bobagem. O bebezinho tem que ir para sua própria caminha. Criança cresce. E se crescer no meio do casal, vai trazer problemas para o relacionamento. E terá seus próprios problemas.
É verdade que alguns casais se acomodam. Depois do nascimento de um filho, até perdem parte do interesse pelo parceiro. Sexo passa a ser cada vez mais raro. E nem sempre se preocupam com isso. Aceitam como consequência natural da própria dinâmica do casamento (embora não seja, é importante ressaltar). No entanto, a presença da criança ali na cama não atrapalha apenas o sexo. Interfere na intimidade, na chance daquela conversa mais tranquila no fim do dia, na oportunidade de um carinho… Ou no simples fato de ter o parceiro (a parceira) só pra você.
Quanto à criança, perde a chance de crescer. Filho que dorme com o casal, ao mesmo tempo que estabelece uma relação de poder e controle dos pais, torna-se frágil. Não conquista autonomia, não amadurece. Se for garoto, desenvolve uma proximidade viciosa e pouco saudável com a mãe; se for menina, a situação pode ser parecida, mas tendo como foco o pai. O filho torna-se adolescente, jovem, mas vai seguir um bebezão.
Desde muito cedo, filhos devem ser preparados para o mundo. Os pais têm de oferecer a eles oportunidade para serem autônomos. A molecadinha tem que ser exposta à realidade. Aprender a ter liberdade e a exercê-la. Saber lidar com a frustração, com a solidão, com a perda. E isso começa com a primeira separação, a de corpos. Por Ronaldo Nezo

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